sábado, 2 de março de 2013

Lembranças...

É tudo que me resta de ti agora, mas o que felizmente, ninguém pode me roubar. E são tantas boas...


Lembro de quando te conheci, na casa dos meus avós e eu tinha 11 anos.
Lembro de como você foi babando no meu pé dentro do carro quando te levamos.
Lembro de como construímos e pintamos a sua casinha. Você ainda não tava morando com a gente, mas eu já tinha pego um carinho imenso por você.
E você se mudou e fez a alegria de todo mundo lá em casa, se tornando parte da nossa família...
E quando você fugiu de casa pela primeira vez e quem te pôs pra dentro foi a vizinha?
Mais engraçado foi quando passeamos pela primeira vez e você passou por baixo da mãe e a derrubou no meio da rua haha.
Já vimos que não dava muito certo te dar banho, porque você ia correndo pra grama e se sujava tudo de novo, mas o que valia era a intenção, não?
Lembra de quando nos mudamos, que você ficou meio perdida no quintal novo?
Pois eu lembro de quando você deitou na rampa pela primeira vez e fez de lá seu trono real, não saindo nem quando a gente tava cheio de mala indo viajar...


Era legal quando a gente passeava. As pessoas ao te ver mudavam de lado da calçada, mas as crianças adoravam passar a mão no teu pelo e você ficava lá se achando o máximo com o carinho delas.
Mas teve aquela vez que a gente foi passear no mato com meus primos e você saiu arrastando nós três juntos morro abaixo e quase deixamos você escapar.
Nossa brincadeira preferida era bobinho. Você ficava com tanta raiva quando conseguia pegar a bola que sempre furava ela. E quando a gente arrancava ela da sua boca, você descontava a raiva no coitado do Xaxim de casa. Tivemos até que colocar uma cerâmica em volta pra você parar de arranhá-lo haha. Depois disso, você começou a cavocar do lado do seu canil.
Era engraçado também que se eu quisesse, você atacava o meu irmão. Hahaha
Por falar em cavar, você sempre ficava com uma cara engraçada quando enterrava um pão que a mãe te dava haha.



Eu lembro de quão sofrido foi pra você na sua primeira prenha, que deu tudo errado e tiveram que te operar. E seu câncer deve ter começado a se formar nessa época...
E ainda assim, você era a minha amigona e nunca me abandonava quando via que eu tava triste e ficava lá comigo o tempo que fosse...
Mas depois veio a Pantera e a Tigresa e tudo ficou divertido². Que endiabradas eram aquelas cachorrinhas, não era a toa que elas viviam apanhando de você (até me lembra eu na minha infância haha)


E a Pantera, ou Taz, como a gente a chamava de tanto que ela destruía as coisas, já dava trabalho por duas. Mas ainda assim esse bichinho também entrou pra nossa família.
Engraçado que perto dela, você era uma lady, não? Você bem que tentou educar a ferinha...


O tempo foi passando, a Panther cresceu e, infelizmente, graças à correria da faculdade, passei a te ver menos. Ainda assim, passeávamos 1 ou 2 vezes por mês e ficou mais difícil ainda porque a gente tinha que guiar a Pantera também e ela era tão endiabrada que quem tinha que leva-la era eu, porque o Will não conseguia...
E veio a despedida. O dia que vim pra Bélgica. Foi tão triste, porque eu sabia o que podia acontecer. Te abracei tão forte e pedi "por favor, espera eu voltar". Sei o quanto você lutou, não foi fácil e só tenho a te agradecer. 
Agradecer pela amizade, pela alegria que você me trouxe, pelo amor que você me deu. Espero ter retribuído da mesma forma, porque você foi muito muito especial para mim e a sua perda dói demais...
Obrigado e adeus, minha amiga...

Onça
01/08/2001
27/02/2013

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