sábado, 23 de março de 2013

Viagem de despedida da Gabi - Parte 1

Como festa é para os pobres fracos, eu decidi fazer uma viagem para me despedir da Gabriela. E Brunete aprova viajar!

Bem, o destino escolhido foi meio estranho. Tudo começou com uma tal de pSil, que era na época intercambista pelo Ciência sem Fronteiras na Alemanha, mas que ao invés de estudar, ficava viajando. Esta fulana, que mais tarde descobri ser da mesma espécie que a Gabi, a chamou pra viajar até os confins da terra (não, dessa vez não é a Valônia), o Marrocos. Como não podíamos deixar a pobre, literalmente, Gabriela viajar sozinha para Marrakesh, eu e o Rodrigo resolvemos ir também. O Rafa viu, ficou com vontade e decidiu ir junto. E a Camilla traidora também resolveu embarcar de última hora. Mas como o Rodrigo é chique como Brunete, ele foi pra Barcelona festar antes de ir pro Marrocos.

A aventura já começou bem, porque a Camilla e eu nos atrasamos um pouco, devido ao correiro belga. Pior ainda, o Rafa nem tinha saído de casa quando pegamos o trem (coisa que sempre acontece, mas tudo bem). Depois, o nosso trem parou no caminho Bruxelas-Charleroi, atrasando vários minutos #êêêvalônia. Pra ajudar, o nosso ônibus saiu alguns minutos mais cedo da estação de Charleroi-Sud e tivemos que pegar um táxi. E, como se não fosse bastante, o aeroporto estava lotado aquele dia. Se tem um cara que me adora, é o tal de Murphy viu. E nada do Rafa. A gente já tava pensando que ele não ia junto. Ou pior, do jeito que as coisas estavam, talvez nem a gente conseguisse embarcar. O jeito foi a Camilla ativar a segurança do aeroporto pra gente cortar a fila no raio-x (que a gente tava quase chegando, mas tava demorando demais), e sairmos correndo pra carimbar o passaporte (vixx) e correr mais ainda pro avião. E não é que nesse meio tempo, o Rafa surgiu? Não sei como ele conseguiu, mas o fato é que ele entrou e o avião decolou. Um belo começo de aventura.

Não sou muito de reclamar dos vôos da Ryanair, porque eles são curtos demais (1-2h) pra dar tempo pra reclamar. O problema é que até o Marrocos demora. E como demora. Pra ajudar, bateu a fome e a gente teve que sucumbir à extorsão da Ryanair pra comer algo. Queria pedir um Noodles, mas a Gabi e a Camilla fizeram o favor de acabar com os últimos, então o jeito foi comer um sanduíche natural. Bom pra mim, porque elas só reclamaram do macarrão haha. Desembarcar no aeroporto foi uma emoção, por estar conhecendo mais um continente e passar pela imigração foi fácil. A Gabriela então, tava pirando, só pensando na novela do Clone. Só precisávamos esperar o Rodrigo, que chegava as 6 da noite (e ainda eram 4 da tarde!). E a fome bateu de novo, porque lanche de Ryanair é aperitivo né. Depois de trocarmos nossos Euros por Dirhams, que chamamos de Dilmas, procuramos algo pra comer. Continuando o meu azar do dia, não tinha nada no aeroporto, eu repito, nada, pra eu comer. Apesar de existir umas poucas opções nos cardápios que eu pudesse comer, não tinha no estoque ou coisa assim. Já tava querendo voltar pra Bélgica antes de morrer de fome né. Mal sabia eu o quanto eu não ia comer direito naquele país.

Enquanto estávamos esperando o Rodrigo, reparamos que tinha muita gente esperando as pessoas na saída dos pousos com plaquinhas, indicando o nome. Claro que fizemos o mesmo pro Rodrigo, mas como não tínhamos papel, usamos, ou melhor, eles usaram os tablets dele #gentericaéoutracoisa. E esperamos. E esperamos. E nada do Rodrigo. Pra ajudar, não tinha nenhum vôo de Barcelona nos pousos (não sabia que ele vinha de Girona). Mas depois de muito tempo (já tínhamos até guardado os tablets), ele chegou e ficamos sabendo que ele teve problemas na imigração, mas deu um jeitinho brasileiro e conseguiu passar. Como se não fosse encrenca o suficiente, o Rodrigo foi sem dinheiro pro Marrocos e não conseguiu sacar lá #fuuuu. Mas enfim, combinamos de ir emprestando pra ele (quem podia) e então pegamos um taxi, pagando cada um 5 euros, que achamos super barato até descobrir que dava pra ter pago 2, se tivéssemos pechinchado. E que zona de trânsito. E que muvuco de pessoas. Elas ficam em cima de você querendo de te vender coisas, te levar ao lugar que você procura ao troco de dinheiro ou só pra pedir dinheiro mesmo. E é claro que a gente com malas dando bandeira era pedida pra eles. Nossa guia, Gabriela, não sabia chegar no hostel e acabamos nos perdendo nuns becos tipo a Jade fez. E foi igualzinho porque os caras perguntavam se a gente falava espanhol e a gente dizia que era português, porque éramos do Brasil. Depois disso, o Paraguai é ficha viu. Mas thanks heavens que conseguimos nos livrar deles e achar o hostel. Conhecemos a pSil, a amiga louca (porque estuda EQ) da UFMG junto com a Gabi e igualmente venenosa, e os amigos dela, a Stefani, outra louca de EQ, mas carioca (não fala mal que os mano baixa), e o Rodrigo, que a gente chamou carinhosamente de Tainá, por ele vir do Pará e estudar no Amazonas (e super parecer com a Tainá guerreira, força natureza!!!). Depois fomos pra praça central da cidade tomar um suco de laranja por 40 Dilmas (~0,40€). Aliás, saiu até mais barato porque pechinchamos e ainda tiramos foto na barraquinha do suco e logo após jantamos. Nada como tomar banho e dormir tranquilo... se não fosse o Rafa tagarelando com um cara galês que depois, pra se vingar da gente, roncou feito uma motoserra a noite inteira. Pra variar, o Rafa dormiu feito uma pedra e não ouviu nada #raiva.

Você vende suco a 30 cents de euro? Não. Ah, desculpa, vou tentar na barraquinha da frente... quem diria que a gente ia ganhar uma foto ainda? #inyourfacecarinhaquenãovendeupragente

No segundo dia acordamos bem cedo pra pegarmos a van da excursão pro Saara (no meu caso, só me levantei, porque não dormi quase nada). Tratamos de arranjar um jeito milagroso de acordar o Rafa, tomamos café da manhã a lá Marrocos com umas massas estranhas e geleia e fomos pra praça. Na nossa van tinha nós 8, mais 2 brasileiros (que depois conto mais sobre), um casal de peruanos com +-30 anos e um casal inglês velhinho, mas muito simpático. Ficaram no fundão eu, a Gabi, a Camilla e o Rodrigo.


E eu que não achei que viajaria mais no fundo de uma van desde o Hopi Hari com a Fabi e a Ana... so wrong

Logo no começo da viagem, deu pra perceber que o motorista era barbeiro. Acho que todo mundo lá é, porque o trânsito era uma loucura. Assim que nos afastamos de Marrakesh, começamos a subir a cordilheira do Atlas. Foi quando percebi que o motorista não era barbeiro, era louco! O cara simplesmente ultrapassava na curva na subida, visão zero. Antes de sermos mortos, ele resolveu parar num mirante pra pelo menos tirarmos uma foto e termos de recordação, caso algo acontecesse né...

Visão de tirar o fôlego e Tainá se segurando pra não cair...

Andamos mais um pouco e paramos de novo. Dessa vez, além de tirar fotos, o motorista queria que a gente comprasse umas pedras estranhas, bonitinhas #Rafapiranaspedras #chamodepedramesmo. O Rafa pirou tanto que pagou 20 euros em 2 pedras. Já a Camilla como boa pechincheira, fez 2 por 10. E foi aí que surgiu essa pira por pedras que não entendi o porquê. Eu pelo menos tava pirando no Sol, porque depois de tanto tempo na Bélgica, esqueci o que era Sol e calor... Andamos mais um pouco e paramos de novo! (saaco). Agora foi pra ver a fabricação do Huile d'Argan, que segundo a Camilla é ótimo para o cabelo, mas também descobrimos que dava pra comer (wtf?). Gabi e eu ficamos olhando as pedras (de novo) e percebemos que quem sabia falar francês bem, conseguia pechinchar bem. E quem disse que o nosso francês saiu? haha. O jeito foi voltar pra van e continuar subindo. E de novo paramos pra ver a fabricação da Água de Rosas. Destilação simples, nada que supreendesse 4 engenheiros químicos o suficiente pra comprar né. E subindo mais, paramos de novo (!!) pra ver a vista e comprar pedras. Dessa vez todo mundo acabou pechinchando e não sei o porquê. Cada vez que olho a minha pedra agora fico pensando porque gastei euros nisso, mas enfim, ela até que é bonitinha.

Devia ter parado nas fotos, antes de comprar aquela pedra...

Depois de subir tanto, começamos a descer e então chegamos paramos pra almoçar, que tinha que ser num lugar que o carinha da excursão escolhia. Enquanto o almoço (que foi cuscuz) não chegava, a gente ficou tirando fotos e comendo pão. Logo após o almoço, andamos até a cidade de Aït-Ben-Haddou, patrimônio mundial da UNESCO, onde foram gravados vários filmes e séries como O gladiador, Príncipe da Pérsia, A Múmia e até Game of Thrones! Isso sem contar a cultura que a gente aprendeu lá, como não tirar fotos das mulas sem dar dinheiro, como são feitas as casas, a origem das famílias e tal. Apesar do sol quente, da desidratação e do carinha reclamando que a gente demorava demais, foi um passeio muito da hora.

Carinha na pose Fred Mercury do lado haha

Quando voltamos pra van, o motorista falou que duas pessoas podiam ir  na frente, então o Rodrigo e a Camilla foram pra lá, o fundão ficou pra mim e pra Gabi e finalmente pudemos esticar a perna. Ao passarmos por Ouazazate, que é uma cidade relativamente grande pro Marrocos, pedimos pro cara parar no banco pra ver se o Rodrigo conseguia sacar dinheiro, porque o nosso ja tava acabando. Mas nada. O único que conseguiu sacar ou trocar dinheiro foi o Tainá. Pra piorar a situação, o motorista parou e subiram 3 chinesas olhos puxados taiwanesas, como caras feias pra (de) chuchu, que já chegaram causando, porque não queriam sentar no fundo (e nem a gente queria elas lá) e praticamente expulsaram a Camilla e o Rodrigo da frente, fazendo eles voltarem pro fundo e a gente ficar apertado. Foi aí que começou o nosso ódio delas. Mas nos vingaríamos, uma hora...

O resto do dia foi tranquilo, apesar de apertado la atrás. As chinesas taiwanesas foram conversando com o motorista, o tempo foi passando, o caminho foi ficando ainda mais desértico e finalmente chegamos no nosso hotel da primeira noite. Ah, nada como um bom banho. A janta foi cuscuz (de novo) e enquanto ela não chegava, a gente atacou o pão. Nessa hora a gente conheceu a outra Camila, mas a história dela ainda fica pra depois. A gente até tentou roubar o pão da casa do João outra mesa, daí ela não entendeu a nossa pira com o pão haha. Bem, depois da janta, conversamos um pouco, olhamos o céu, que era muito lindo (até que tentamos tirar foto) e fomos dormir, porque do jeito que foi esse dia, o outro seria mais comprido ainda...

Foto do quarto. Acho que esse foi a melhor cama que vimos em alguns dias...
To be continued...

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