terça-feira, 30 de outubro de 2012

Winter is coming by the gates of Moria

    Sim, é óbvio que o inverno está chegando, mas a frase é clássica, não? Enquanto que para o jovem Paulo Affonso o inverno já chegou faz tempo (ainda bem que escolhi a Bélgica a tempo!), para nós aqui a temperatura está começando a cair. Essa semana foi engraçada. Chegou a fazer 24 °C na segunda e a temperatura foi caindo até chegar a -1 °C no sábado de manhã. Só que ao contrário de Curitiba, que tem imprevisibilidade climática, a queda foi meio que linear. Ainda assim, pros brasileiros que estavam felizinhos com a temperatura boa no começo da semana, o frio fez eles ficarem enfurnados em casa... Será?
    No sábado, dia 26, a Tati e a Ju decidiram dar uma volta em Bruxelas. Mesmo com -1 °C elas foram mesmo e eu, como não tinha nada pra fazer, fui junto. A Júlia logo se separou pra encontrar uns amigos que ela fez por aí no mundo e passear em Bruxelas. A Tati queria comprar uma jaqueta com três camadas que eram ligadas e davam pra ser retiradas e um tênis de couro. Na rua barateza que indicaram pra gente não encontrávamos nada, mas o legal daqui é que se você pergunta "Isso é couro de verdade?" ou "Isso aguenta o frio?" eles vão responder que não e te indicam onde comprar. Ao contrário do Brasil que diriam "Claro, novo couro verdadeiro, pode comprar". Então fomos passeando pelo City Mall 2 e a Rue Neuve, até o Rafa Rafa chegar, mas não encontramos muita coisa. E não é que em uma das lojas tinha um vendedor brasileiro? (brasileiro é praga, tem em todo lugar né). E a Tati super se esforçando pra explicar em inglês ou francês como ela queria a jaqueta haha. Bem, ele falou "Go west", quero dizer "Vá pra Liège", e acabamos pegando o primeiro trem correndo pra Liège.
    No caminho pensei que talvez fosse hora de comprar um sapato pro inverno também, e chegando lá em Liège nós entramos numa loja que tinha bastante coisa barata (a Primark). Tudo bem que o brasileiro falou que a loja era do tamanho de um estádio de futebol e a loja era menor que a Havan de Araucária, mas deu pra comprar algumas coisas. E o bendito sapato que não achávamos acabamos comprando no shopping lá também (fiz minhas compras em francês, Fabi ficaria orgulhosa haha). Quentinhos e cansados com o dia de compras voltamos pra Leuven em mais um final feliz (own).

   No domingo, para completar meus 2 meses de Bélgica, fomos fazer prática de Spelunking. Sim! Ir numa caverna, ao vivo e a cores (se bem que a única cor era marrom). Saímos cedinho, fazendo 0 °C, com as meninas do 03.19 falando que tinha nevado, mas na verdade era geada (ah esse povo que nunca viu frio tsc tsc).

Campus branquinho de gelo no domingo
creditsbyGeruza

    Chegando em Lustin, almoçamos uma coisinha rapidinha, e tratamos de andar até a caverna (Trou d'Harquin). Detalhe que a entrada era uma coisinha que seguia o fluxo do rio (eu nem imaginaria que era uma caverna), só que era fechada para que pessoas não autorizadas ao cavernismo entrassem. Definimos uma ordem que era a Sara (instrutora), a Laís, a Gabi, a Annelise (belga), eu, a Ge e o Pete (instrutor) e entramos, pisando naquela água gostosa. A Ge quase desistiu ao ver algumas aranhinhas, mas seguiu em frente e fomos explorar a caverna. Eu achei que era como montanhismo, só que ao contrário. Doce ilusão. É mais difícil. E isso porque estávamos na caverna level 1, for kids. Andar de joelhos, rastejar, apoiar os pés nas paredes ou no teto e até mesmo cair (isso aí, cair) freando nas paredes com o seu corpo. Muito demais. A única coisa que eu tinha medo na caverna era das pilhas (que eram Carrefour Discount) acabarem, daí ia estaríamos fuu, mas deu tudo certo.
    Depois de um tempo eu troquei de lugar com a Ge, pra motivar e ajudar ela. Ela tava com uns papos de "Vão e eu fico aqui". Aham que ela ia ficar. Pra se ter ideia, quando se apagavam as luzes, não se enxergava nada (blackout total) e era muito silencioso também. Claro que eu me imaginei o Hobbit andando dentro das montanhas nebulosas, procurando os salões de Moria, correndo dos orcs e achando que ia encontrar o Gollum lá dentro. Nada como ter outras Tolkienses, Gabi e Ge, pra ficar pirando junto haha.
    Pra descer todo santo ajuda, mas pra subir eles ficam com preguiça. E é aí que fica mais puxado. Ao contrário do montanhismo que você cansa subindo e depois é só descida, aqui é o contrário, então você sobe quando já tá meio cansado. Mas empurrando uns aos outros chegamos lá em cima. Até a Ge subiu muito bem (acho que era vontade de sair de lá haha).  Saímos da cavernas sujos com a alma de lama, mas vitoriosos. Depois nada como voltar pra casa, comer muita batata frita e tomar um banhão. Demais a aventura, certeza que meu pai ia adorar fazer também, mal posso esperar pela próxima.

 Antes - todo mundo limpinho e animado

Depois - todo mundo sujo e cansado
Detalhe pra cara da Ge de que super adorou a aventura


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